Nas categorias musicais, creio que vamos ver a primeira das muitas vitórias de “O Segredo de Brokeback Mountain”. O talentosíssimo Gustavo Santaolalla vai levar o Oscar, e vou gostar demais de ver isso.
Na categora “canção”, uma coisa muita engraçada aconteceu: o improvável (para a Academia...) rap “It´s Hard Out Here for a Pimp”, de “Hustle & Flow”, tomou a dianteira e chega à noite de hoje como favorito. Seria bacana: primeiro rap oscarizado desde Eminem, primeiro tributo a um filme totalmente black, um agrado no pequeno, inteligente, tinhoso “Hustle and Flow”. Eu, pessoalmente, adoro “In the Deep”. Mas aplaudiria a vitória do “Pimp”.
"Hustle and Flow": na canção, de zebra a favorito
As categorias que quase ninguém vê _ nem os acadêmicos _ são as mais complicadas de prever. Em todas elas - filme estrangeiro, curtas de animação e live action, documentários de longa e curta metragem - só podem votar os acadêmicos que provarem ter visto todos os indicados. Isso quer dizer que apenas um grupo reduzido, os mais interessados nos filmes, de um modo ou de outro, acabam mandando seus votos.
Levando isso em conta, creio que “The Moon and the Son” vai ganhar como curta de animação, “Six Shooter” como curta live action, “God Sleeps in Rwanda”, como documentário curta metragem e “A Marcha dos Pingüins”, documentário longa metragem.
Depois de muitas idas e vindas – essa competição é assim mesmo – hoje eu creio que “Tsotsi” vai levar o Oscar de melhor filme estrangeiro. É o “Cidade de Deus” sul-africano, tem uma estrutura narrativa que a Academia compreende, e fez uma campanha espertíssima.
Mas por tudo e com tudo, eu gostaria de ver “Paradise Now” levar essa estatueta. Ficarei bem feliz se perder minha própria aposta, e marcarei o ano de 2006 como um momento histórico para o Oscar.
"Tsotsi", favorito entre os filmes estrangeiros: campanha esperta
Nas categorias de arte, estou apostando na supremacia de “Memórias de uma Gueixa”. O filme de Rob Marshall deve ganhar os Oscars de direção de arte e figurino. É o tipo de película “exótica” que os acadêmicos adoram, e seus quimonos trazem a assinatura da muitas vezes oscarizada Colleen Atwood _ é o tipo de nome que o mais desligado dos votantes, ao ver numa cédula, já vai marcando no piloto automático.
Nada contra _ apenas, na direção de arte, eu gostaria de ver reconhecido o espetacular e minucioso trabalho de Jim Bissell e Jan Pascale em “Boa Noite e Boa Sorte”.
E finalmente, ponho minhas fichas em “As Crônicas de Narnia” para ganhar o Oscar de melhor maquiagem.
"Memórias de uma Gueixa", favorito na arte: o fator Colleen Atwood
E então, quem eu acho que vai ganhar? Começo meus palpites pelas categorias aparentemente menos sexy _ as técnicas _ mas que, cada vez mais, são as únicas onde os filmões-pipoca tem vez.
Creio que “King Kong” vai dominar, aqui, levando as estatuetas de efeitos visuais, mixagem de som e montagem de som. O filme de Peter Jackson poderia e deveria ter sido lembrado em outras categorias, mas tropeçou em suas próprias ambições divididas entre o tributo a uma forte idéia original _ o monstro como metáfora _ e o impulso (a obrigação?) de fazer um filme-pipoca. Deu no que deu: metade uma obra genial, metade uma versão esquisita de “Parque dos Dinossauros”. Mas ainda acho que é um belíssimo filme pop, romântico até a alma.
Ganha, portanto, meu outro selo: é o que eu gostaria de ver ganhar nessas categorias.
Toré Kong: jantando nas técnicas

O do meio você reconheceu de cara, não é? Mas saiba que os dois ao lado de Jake Gyllenhaal são figuras fundamentais na festa do Oscar. O da esquerda é Chuck Workman, o homem que cria e edita todas aquelas montagens maravilhosas de filmes do passado que vemos durante o evento. O louraço da direita é a adorável figura de Bruce Villanch, gente finíssima, inteligente, divertido, e principal roteirista da festa dos Oscars. A foto, do L.A. Times, foi no ensaio geral de ontem à tarde e noite.
Foto: L.A. Times.
Um momento mais alegre para Nicole: na tarde de ontem, enquanto, no teatro Ivar (pequeno, funky, divertido) a galera da Golden Raspberry Foundation entregava os Razzies (que são feitos de isopor pintados com spray dourado), ela , a dois quarteirões de distância,ensaiava sua participação no Oscar no palco do teatro Kodak.
Nicole no ensaio geral do Oscar:mais alegre
Foto: L.A. Times
Uma dica: pelo preço de aproximadamente 50 reais você também pode escolher os piores filmes, astros, diretores e celebridades de cada ano, e contribuir para um mundo mais feliz!
Tom Cruise escapou dessa.... por pouco. As Framboesas de Ouro de 2006 foram quase todas para “Dirty Love”, o filme (?) escrito e estrelado pela ex-playmate Jenny McCarthy. Quatro Razzies ao todo:pior filme, pior diretor ( o ex-marido de Jenny, John Asher), pior roteiro e pior atriz. Sobrou Razzie também para Nicole Kidman e Will Ferrell (pior casal em “A Feiticeira”), Hayden Chistensen (pior coadjuvante por “Star Wars III, A Vingança dos Sith”) e Rob Schneider (pior ator por “Gigolô Europeu Por Acaso”).
Ao casal (?) Tom-Kat sobraram só Razzies especiais como “assunto mais chato da mídia”.
Will e Nicole em "A Feiticeira": pior casal
Enquanto isso, em Hollywood, 51 estudantes do programa de cinema da rede pública de escolas de Los Angeles levaram solenemente, ao teatro Kodak, as 51 estatuetas que serão distribuídas amanhã à noite. Até hoje à tarde os Oscars estavam expostos na mostra "Meet The Oscars", no shopping Hollywood & Highland.
O desfile dos Oscars de amanhã: pelas mãos de estudantes de cinema da rede pública de Los Angeles.
Foto: Oscar.org
Agradecendo o seu Indie Spirit como melhor diretor, Ang Lee disse tudo: "Num ano em que Hollywood parece cheia de espírito independente, eu valorizo ainda mais este prêmio".
Ang Lee premiado no Indie Spirit: Hollywood aderiu?
Foto:Reuters.com
"O Segredo de Brokeback Mountain" foi o grande vitorioso dos Independent Spirit Awards, os prêmios do cinema independente americano que, tradicionalmente, são entregues, na véspera do Oscar, numa festa com clime de piquenique na praia, numa grande tenda armada nas areias de Santa Monica, Los Angeles. "Brokeback" ficou com melhor filme e melhor diretor _ ao agradecer o troféu, os produtores Diana Ossana e James Schamus brincaram: "Como o filme é, basicamente, sobre ovelhas, queríamos agradecer ao nosso pastor, Ang Lee".
"Crash- No Limite" venceu como melhor filme de estréia - uma categoria que existe apenas nos Indies - e também valeu um prêmio de ator coadjuvante para Matt Dillon. A melhor atriz coadjuvante foi Amy Adams, por "Junebug". Felicity Huffman por "Transamerica" e Philip Seymour Hoffman por "Capote" foram os melhores atores. "Paradise Now" levou o Indie de filme estrangeiro.
O mais interessante de tudo: como nunca em sua curta mas influente história, os indicados do Indie Spirit repetiram-se nos Oscars, mostrando o quanto o cinemão deve ao cineminha.
Philip Seymour Hoffman com seu Indie Spirit: este ano, igualzinho ao Oscar
Foto: Getty Images/MSNBC.com
Segurem seus sutiãs! Isaac Mizhari vai voltar ao tapete vermelho para mais "entrevistas informais" com as estrelas. E ele garante que não entendeu por que houve tanta controvérsia em torno de sua atuação nos Globos de Ouro...
Mizhari e Johansson num "momento informal" dos Globos de Ouro: tudo de novo?
Mesmo que um indicado não leve para casa a preciosa estatueta dourada, não há motivo para muita choradeira_ a lista de brindes, mimos, luxos, serviços e presentes disponíveis para eles é inacreditável, e inclui de jóias, cosméticos, lingerie, chocolates e perfumes a viagens cinco estrelas, todo tipo de engenhoca high-tech e até cirurgias estéticas.
Se nada disso satisfaz as estrelas, ainda há o recurso da suítes e spas de cortesia, que cobrem os indicados com todos os mimos possíveis e imagináveis.
A Academia começou esta onda em 1988 quando, pela primeira vez, presenteou apresentadores (que não recebem um tostão por seus serviços na noite do Oscar) com uma cesta de brindes de luxo. Mas hoje torce o nariz para tanta generosidade, embora, tecnicamente, não possa fazer coisa alguma a respeito.É claro que nada disso rola porque há uma admiração obsessiva pelos oscarizáveis: como explicam, sem papas na língua, todos os divulgadores das empresas em questão, é um ótimo negócio (e um investimento proporcionalmente pequeno) ter estrelas em evidência usando seus produtos, falando sobre eles, sendo fotografadas com eles. Não há, literalmente, dinheiro que pague uma coisa dessas.
Felicity Huffman experimenta um anel de diamantes no Diamond Aquifer Retreat, um spa de cortesia exclusivo para indicados, nas colinas de Hollywood: não há dinheiro que pague.
Foto: L.A. Times