Todos os indicados, presentes ou ausentes no Almoço, já tem um ganho substancial sem ter nem precisado segurar a estatueta _ a estimativa é um adicional de pelo menos 30% a mais em salários e cachês, só por ser indicado. Se ganharem, o céu é praticamente o limite, pelo menos nos dois primeiros anos depois da vitória _daí para frente, o brilho da estatueta diminui um pouco, e só pode ser reavivado por outras vitórias e indicações, ou por um desempenho notável na bilheteria ou junto a crítica (ou ambos).
E ainda existe um seguro, que a Academia detesta mas que tem subido em valor nos últimos 10 anos: a estatueta propriamente dita. Segundo uma matéria do New York Times, um Oscar “simples” (numa categoria técnica) vale cerca de 50 mil dólares em leilões. Um “grande Oscar” (filme, ator, atriz, diretor) vai para mais de um milhão e meio de dólares e, se nomes ou títulos se tornarem históricos e célebres, não param de subir em valor.
Em outras palavras: não é a estatueta dourada do carequinha que vale, é o nome inscrito em sua base...
O almoço com as estrelas, formalmente conhecido como Almoço dos Indicados, foi bem, obrigada. Uma turma de peso _ entre eles Ang Lee, Rachel Weisz e Paul Giamatti _ não conseguiu ir para Los Angeles, graças à super nevasca que assolou a costa leste dos Estados Unidos. Mas quem apareceu foi saudado, na entrada do hotel, por multidões ululantes e, no “corredor da morte” ( que levava da entrada até a sala onde posavam para fotos ao lado de Oscars gigantes), por maltas de fotógrafos. Tudo normal.
O interessante deste ritual pré-Oscars é como ele serve para medir com razoável clareza para onde estão soprando os dourados ventos do favoritismo. É uma coisa muito sutil, expressa em pequenos graus de maior calor na acolhida, mais interesse para conversas, um assento um pouquinho melhor numa mesa um pouco mais bem situada, trocas de olhares... De uma forma muito peculiar essas vibrações são absorvidas pelos próprios indicados, pela mudança em seus rostos, sua linguagem corporal...
Por exemplo: Felicity Huffman se portou como quem já ganhou. Não por ter sido arrogante, que ela é incapaz disso, mas pela certeza com que pisou no tapete vermelho, a alegria do rosto, notada por todos os repórteres. George Clooney, galante com as fãs que o assediavam, parecia alguém conformado em não ganhar, mas triunfante por ter chegado até aqui. E prestem atenção em Terrence Howard: ele não vai ganhar o Oscar de melhor ator (esse já está praticamente nas mãos de Philip Seymour Hoffman) mas uma muito bem urdida campanha (somada ao seu talento, é claro) acaba de transformá-lo naquele ator que sobe subitamente do nada para o estrelato graças ao Oscar.
E pensar que o Almoço foi idealizado exatamente para o oposto, para ser um congraçamento democrático, igualitário, antes do pega-pra-capar da campanha final.... 
Na hora do almoço: a felicidade de Felicity (com a poderosa divulgadora Pat Kingsley ao fundo)...
..a simpatia de Clooney...
...a beleza da favorita Reese....
..e a atitude de Terrence.
Fotos: Los Angeles Times