
Almoço com as estrelas
Quantos indicados famosos você reconhece? Esta é a foto oficial da Turma de 2006, reunida hoje à tarde no Hotel Beverly Hilton no tradicional Almoço dos Indicados.
Foto: AMPAS (clique e veja a foto maior aqui)
Na falta de maiores controvérsias no Oscar 2006 (além da de "Paradise Now", é claro)a mídia americana achou de cismar com o pôster.
Com um deles, para ser mais precisa: este ano, fugindo um pouco do habitual, o Oscar tem dois cartazes. Um (que já mostramos aqui no blog)é um close de mãos femininas, enluvadas de branco, segurando elegantemente a estatueta. Nenhuma controvérsia ali.
A questão é o outro pôster, no qual vigorosas mãos masculinas empunham o Oscar num ângulo mais baixo, mais exibido, mais... fálico? É o que garantem várias colunas e blogs, indo ao ponto de garantir que o pôster em questão era indicação de favoritismo por...bom, aí depende do ponto de vista. O blog do New York Times jura que é sinal de preferência por "Boa Noite e Boa Sorte" (por conta do climão fifties). Já para o saleroso Defamer tanta saliência só pode antecipar vitória polpuda para "O Segredo de Brokeback Mountain".
E se você tiver preguiça de ler tantos links: as mãos femininas são de Julie Andrews; as masculinas, de Cary Grant.
Um poster erótico?
Estava demorando: grupos de israelenses e de “cidadãos americanos preocupados“ estão protestando a inclusão de “Paradise Now” entre os indicados para o Oscar de filme estrangeiro. Não me espanto nem um pouquinho _aliás, só estranho que isso não tenha rolado no dia 31 de janeiro. “Paradise Now” incomoda, e muito, todo mundo que acredita que a Academia é o porta voz desses “grupos preocupados.
Quando escrevi aqui que quase tinha ficado sem queixo com a indicação de “Paradise Now” eu certamente não me referia ao mérito do filme palestino, mas à extrema ousadia da escolha, que falava uma enormidade sobre o quanto a Academia tinha evoluído nos últimos anos.
Meia década atrás,seria impensável sequer considerar um filme palestino. Em 2003, “Intervenção Divina”, submetido oficialmente à Academia pela Autoridade Palestina, teve sua consideração inicialmente vetada pela diretoria da instituição pelo motivo de “pertencer a um país inexistente”. Depois de alguma gritaria da mídia e um abaixo-assinado com alguns nomes ilustres, a Academia “fez uma exceção”, mas o filme não foi muito longe, apesar de ter uma bela folha corrida de elogios e prêmios.
Este ano, a presença de “Paradise Now” já é histórica. Não foi uma escolha fácil, como explica aqui o sempre lubrificante relações-públicas John Pavlik. Com esta controvérsia, arrisco mais: para mim, agora, ele está na frente para ganhar a estatueta da categoria.
Paradise Now: controvérsia=favoritismo