31/01/2006

Surpresa com as indicações do Oscar? Não muito. Decepcionada com a implosão de “O Jardineiro Fiel”? Bastante. Restaram Rachel Weisz, que na verdade é a favorita na categoria atriz coadjuvante, o roteiro adaptado, a montagem e a trilha. Quatro indicações, bom, mas... Fernando Meirelles ficou de fora.


Mira Sorvino e Sid Ganis anunciam a lista


Minha teoria, raciocinando em cima do modo como a Academia vota nesta fase, é que “Munique” e Steven Spielberg entraram na vaga que poderia ser disputada por “Jardineiro” e Fernando. Spielberg é o insider por excelência, e “Munique” tem tudo que uma determinada ala dos acadêmicos adora.

“King Kong” deu uma encolhida, também. Ficou apenas com indicações técnicas, o que era esperado (já coloco minhas fichas no gorilão para o Oscar de efeitos especiais)

No setor das gratas surpresas, fiquei feliz ao ver William Hurt lembrado por seus colegas para ator coadjuvante por seu papel como o irmão gangster de “Marcas da Violência” – Hurt, voluntariamente, tem andado distante das fofocas (e oportunidades) de Hollywood. Bom também ver tantos filmes menores como “Hustle and Flow”, “Mrs. Henderson Presents”, “The Squid and the Whale”, “North Country” e “Junebug” lembrados pelo desempenho de seus atores – todas essas indicações eram esperadas, porque repetiam as da Screen Actors Guild, mas mesmo assim não deixa de ser um triunfo de vários davizinhos diante do Golias de sempre.

“Crash”, que fica na fronteira entre o grande e o pequeno pelos parâmetros da indústria, teve um desempenho excelente, melhor do que o prognosticado: cinco indicações, inclusive as supernobres filme, diretor e roteiro original. Está, definitivamente, no páreo. Digo mais:é o filme que “Brokeback Mountain”, o favorito, tem que derrotar para converter em estatueta suas oito indicações.

Na verdade, quem encolheu também foi o filme de Ang Lee. Ainda está na frente, ainda é o competidor que estabelece o ritmo da disputa, mas esperava-se mais dele. Os oráculos lhe garantiam dez indicações indiscutíveis. Teve oito. Em Hollywood, em época de Oscar, essas coisas têm significado e peso.

Filme estrangeiro? Caiu-me o queixo ao ver o palestino “Paradise Now” entre os indicados. Sinal de que a renovação chegou também ao empedernido Comitê de Filme Estrangeiro. Se ganhar, será um Oscar histórico. Mas o favorito é o francês “Joyeux Noel”, mesmo.

E sabem qual a disputa que mais me encanta seguir? Longa de animação. Primeiro páreo sem nenhum dos gigantes Disney, Dreamworks, Pixar. Três trabalhos, três artistas que amo: Hayao Myiazaki, Tim Burton, Nick Park. É de dar gosto. Parabéns, comissão de animadores!



'O Castelo Animado', de Hayao Myiazaki, no páreo

Fotos: oscars.org

Escrito por Ana Maria Bahiana

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